Caso Daniel: Justiça mantém absolvições de quatro dos acusados pela morte do jogador
Tribunal analisa recursos que podem mudar decisões do caso Daniel O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) manteve, nesta quinta-feira (11), a absolvição de ...
Tribunal analisa recursos que podem mudar decisões do caso Daniel O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) manteve, nesta quinta-feira (11), a absolvição de quatro dos acusados pela morte do jogador Daniel Corrêa Freitas – David Willian Vollero Silva, Ygor King, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Cristiana Rodrigues Brittes. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Além disso, o órgão manteve, nos termos da sentença elaborada após o júri popular, a condenação de Edison Luiz Brittes Júnior, réu confesso e único condenado pelo assassinato do jogador. Allana Emilly Brittes, condenada por fraude processual, corrupção de menores e coação ao curso do processo, teve extinta a punibilidade. Daniel Corrêa Freitas, que tinha 24 anos, foi encontrado morto em outubro de 2018, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Ele estava parcialmente degolado e com o órgão genital cortado, segundo a polícia. O Tribunal de Justiça analisou os recursos de apelação apresentados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) e pela defesa dos acusados. O MP pedia a anulação da absolvição de David, Ygor, Eduardo e Cristiana. A defesa dos réus condenados buscava a redução das penas. O Ministério Público não se manifestou sobre a decisão até a última atualização desta reportagem. Quem eram os réus e o que o júri popular decidiu? Sete foram acusados de envolvimento na morte de Daniel Correa Freitas, em 2018 Reprodução/RPC O caso tinha sete réus e, destes, cinco eram acusados de homicídio. No júri popular, realizado em março de 2024, David Willian Vollero Silva, Ygor King, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Evellyn Brisola Perusso foram absolvidos de todas as acusações. Cristiana Rodrigues Brittes foi condenada por fraude processual e corrupção de menores, mas absolvida das acusações de homicídio qualificado e coação ao curso do processo. A filha dela, Allana Emilly Brittes, foi condenada por fraude processual, corrupção de menores e coação ao curso do processo. Edison Luiz Brittes Júnior, pai de Allana e marido de Cristiana, foi condenado por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima; ocultação de cadáver; fraude processual; corrupção de menores; coação ao curso do processo. LEIA TAMBÉM: Condição análoga à escravidão: Casal obrigado a morar 20 anos em paiol é resgatado de fazenda 'Caí na infantaria': Paranaense se alistou como médico na guerra da Ucrânia, mas acabou na linha de frente Radiação: OAB quer que advogadas gestantes não sejam submetidas a 'body scan' em penitenciárias O que dizem os citados? O advogado Nilton Ribeiro, que representa a família da vítima, informou que não irá recorrer. O advogado Rodrigo Faucz, que defende David Willian Vollero da Silva e Ygor King, celebrou a decisão do Tribunal de Justiça e classificou que ela "respeitou a soberania dos vereditos" e "confirmou a absolvição dos acusados pelo tribunal do júri". "A absolvição dos meus clientes foi uma decisão baseada em provas do processo e, portanto, legítima. E os desembargadores entenderam da mesma forma, tornando definitiva a decisão dos jurados", destacou Faucz. A advogada Caroline Mattar Assad, defensora de Allana e Edison Brittes, destacou que o tribunal acolheu o pedido da defesa e que, com isso, Allana não responde mais ao processo criminal e "tampouco ostentará antecedentes". Com relação ao pedido de redução de pena de Edison Brittes, a defesa informou que irá recorrer às Cortes Superiores, "pleiteando a correta aplicação das normas penais, buscando uma dosimetria proporcional e adequada ao caso concreto". Jéssica Virgínia Moreira, responsável pela defesa de Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, destacou que a decisão do Tribunal de Justiça respeita a decisão dos cidadãos que participaram do júri popular. "A soberania do júri não é um detalhe técnico. É uma garantia constitucional que protege todos nós. Significa que, em crimes dolosos contra a vida, quem julga é o povo, e essa palavra merece ser respeitada", defendeu a advogada. Relembre o crime Relembre o assassinato do jogador de futebol Daniel Correa Freitas O jogador de futebol Daniel Correa Freitas, 24 anos, foi encontrado morto na área rural de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, em 27 de outubro de 2018. Ele estava parcialmente degolado e com o órgão genital cortado, segundo a polícia. O empresário Edison Luiz Brittes Júnior confessou em entrevista à RPC e em depoimento à polícia ter assassinado Daniel. Tudo aconteceu depois da festa de aniversário de 18 anos da filha de Edison Brittes, Allana, na noite de 26 de outubro de 2018, na qual também estava Daniel, em uma casa noturna de Curitiba. A festa continuou na manhã do dia seguinte, na casa dos Brittes. Edison Brittes alegou, em depoimento à polícia, que Daniel tentou estuprar a esposa dele, Cristiana Brittes, e que matou o jogador "sob forte emoção". Antes de ser agredido e morto, o jogador Daniel trocou mensagens e fotos com um amigo, em que ele aparecia deitado ao lado de Cristiana Brittes. Daniel trocou mensagens com amigo momentos antes do crime Reprodução/RPC Dois dias após o crime, Edison Brittes marcou um encontro em um shopping de São José dos Pinhais para, segundo a denúncia, coagir testemunhas. A reunião foi registrada por câmeras de segurança. No inquérito concluído pela Polícia Civil, o delegado Amadeu Trevisan afirmou que não houve tentativa de estupro por parte do jogador Daniel contra Cristiana. Além disso, o delegado disse que Cristiana e a filha Allana mentiram em depoimento prestado à polícia. O delegado disse também que o jogador não teve como reagir à agressão que sofreu dentro da casa, pois Daniel estava embriagado. De acordo com um laudo pericial, o jogador apresentava 13,4 decigramas de álcool por litro de sangue e não estava sob efeito de drogas. Daniel Corrêa Freitas Rubens Chiri/saopaulofc.net VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.