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Liderança de Moro no Paraná combina Lava Jato, polarização e dificuldade de Ratinho Junior em emplacar sucessor; entenda

Eleições 2026: veja o resultado da primeira pesquisa Quaest contratada pela RPC A pesquisa Quaest mais recente para o Governo do Paraná mostra o senador Serg...

Liderança de Moro no Paraná combina Lava Jato, polarização e dificuldade de Ratinho Junior em emplacar sucessor; entenda
Liderança de Moro no Paraná combina Lava Jato, polarização e dificuldade de Ratinho Junior em emplacar sucessor; entenda (Foto: Reprodução)

Eleições 2026: veja o resultado da primeira pesquisa Quaest contratada pela RPC A pesquisa Quaest mais recente para o Governo do Paraná mostra o senador Sergio Moro (PL) na liderança, com vantagem de 16 pontos percentuais para o segundo colocado, Requião Filho (PDT). Ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, Moro teria pouco mais de 49% dos votos válidos, se a eleição fosse realizada no dia em que a pesquisa coletou as respostas. Considerando a margem de erro, o candidato teria chance de se eleger ainda no primeiro turno. A disputa no Paraná chama atenção de analistas pelas dificuldades que o atual governador Ratinho Junior (PSD) tem tido em traduzir a aprovação do seu governo em votos para o candidato que apoia. Mesmo tendo uma avaliação positiva de 68% dos eleitores do Estado, o governador vê seu candidato à sucessão no Palácio Iguaçu, Sandro Alex (PSD), 22 pontos percentuais atrás de Sergio Moro (PL). Sandro Alex aparece como o 3º colocado em intenção de votos no primeiro turno, segundo a última pesquisa, 6 pontos atrás de Requião Filho (PDT). ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Porém, quando a Quaest perguntou aos eleitores se Ratinho Junior (PSD) merece eleger o sucessor que indicasse, a resposta foi "sim" para 65% dos entrevistados. Mesmo assim, apenas 15% dos eleitores declaram voto no candidato apoiado pelo governador. 🤔❓A soma de indecisos e eleitores que disseram que ainda podem mudar de ideia sobre o voto representa mais de 60% do eleitorado paranaense, o que torna a disputa bastante aberta. O g1 ouviu especialistas para entender os motivos para a liderança de Moro, as dificuldades de Ratinho Junior em transformar a popularidade em votos, as chances de Requião Filho, além das estratégias dos candidatos nesta campanha. (veja infográfico abaixo) Infográfico: entenda em números o cenário para o grupo de Ratinho Junior. arte/g1 📅Atraso do grupo de Ratinho Junior Ratinho Junior chegou ao último ano do 2º mandato como governador do Estado com um índice de aprovação considerado alto. Ele estava bem cotado na disputa interna do seu partido, o PSD, para ser lançado como candidato à Presidência da República em 2026. A candidatura acabou ficando com Ronaldo Caiado. Em março deste ano, Ratinho desistiu da pré-candidatura para focar na eleição de um aliado para governar o Paraná. O nome desse aliado, no entanto, ainda não estava definido. A essa altura, Moro já despontava nas pesquisas de intenções de voto. 🏁Para comparação, Moro já era pré-candidato ao Governo do Paraná em março e seu nome já era ventilado para a disputa desde pelo menos o fim de 2024. Os nomes mais especulados no grupo de Ratinho Junior foram os de Guto Silva, ex-secretário de Cidades; Rafael Greca, ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável; e Alexandre Curi, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. As negociações internas do partido só terminaram em 13 de abril, quando Ratinho anunciou o ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, como candidato do partido. Enquanto as articulações para definir o candidato ao governo não eram concluídas, dois aliados deixaram o PSD e se colocaram como pré-candidatos ao governo por outros partidos: Rafael Greca se filiou ao MDB e Alexandre Curi foi para o Republicanos. O "racha" do grupo político forçou o governador a trabalhar nos bastidores para refazer as alianças. A poucos dias do fim do prazo para as convenções partidárias, Greca foi anunciado como vice de Sandro Alex. Curi foi lançado candidato ao Senado. "Dentro desse trio que estava ali beirando a disputa para o governo, os três nomes são fortes. Mas, sem dúvida, o Rafael Greca tem uma história, uma trajetória consolidada e é um nome com capital político muito mais forte que o Sandro Alex. E o Alexandre Curi também, além da presidência da Assembleia, vem de uma família muito tradicional de políticos", analisa Nilton Sainz, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). A escolha de Sandro Alex, um nome 'desconhecido' do eleitor, pode ter sido fruto de um clima de "já ganhou" dentro do grupo político do governador, segundo a doutora em Ciência Política pela UFPR e professora da Uninter, Karolina Roeder. "Essa soberba do Ratinho Junior fica aparente nessa dificuldade do Sandro Alex em aparecer como candidato. Em vários momentos, inclusive do debate, e também durante a campanha, ele sempre tenta colar ali com o Ratinho Junior. Só que isso acaba deixando ele sem uma cara, sem identidade própria. E o eleitor precisa conhecer ele, não o Ratinho Junior", avalia Roeder. Infográfico: intenção de voto ao governo do PR no primeiro turno da pesquisa divulgada em 24/08 arte/g1 A consequência de Ratinho Junior ter "perdido a largada" fica evidente na última pesquisa de intenção de voto, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Os dados mostram que Ratinho Junior tem capital político para transferir, mas essa transferência ainda não aconteceu. O governador tem 79% de aprovação, 68% de avaliação positiva e 65% dos eleitores consideram que ele merece eleger seu sucessor. O 'problema', portanto, não é rejeição ao governo, mas a falta de associação entre esse legado e Sandro Alex", aponta. De acordo com a Quaest, 62% dos eleitores ainda não conhecem Sandro Alex e somente 21% sabem que ele é o candidato apoiado por Ratinho. Nunes aponta que "em uma campanha curta, esse atraso tem peso porque o candidato precisa primeiro ser reconhecido como o sucessor para depois tentar transformar a aprovação do governador em intenção de voto". "Sandro tem um perfil eleitoral relativamente transversal, mas ainda pouco definido. Ele registra percentuais semelhantes entre homens e mulheres, nas diferentes idades, faixas de renda e posições ideológicas. Seu potencial de voto também varia pouco: fica entre 20% e 23% nos diferentes grupos políticos. Isso significa que ele não enfrenta uma resistência concentrada, mas também ainda não conquistou um segmento que o reconheça claramente como seu candidato", diz o diretor da Quaest. Infográfico: candidatos do Paraná têm trunfos para explorar na campanha ao governo arte/g1 Moro aposta em polarização nacional Com pouco tempo para tentar conquistar os votos em disputa, o grupo de Ratinho enfrenta em 2026 um candidato de projeção nacional e cujo discurso enfatiza a polarização das eleições presidenciais entre esquerda e direita. Enquanto o partido do governador vivia a indefinição sobre seu candidato, Sergio Moro "correu sozinho" à direita, fazendo questão de enfatizar o discurso antipetista. O ex-juiz da Lava Jato foi um dos responsáveis pela centralidade que a capital do Estado ganhou durante a operação. Moro era responsável pela 13ª Vara Criminal da Justiça Federal, em Curitiba, que julgava os processos decorrentes da Lava Jato. Hoje, reivindica o legado da operação e fala em "transformar o Paraná em uma fortaleza contra o PT". Essa estratégia, aliada ao fato de já ser uma figura conhecida e ao apoio da família Bolsonaro, garantiu ao senador uma base sólida, já que Flávio Bolsonaro tem 42% das intenções de voto no Paraná, enquanto Lula registra 24%. Segundo os especialistas, não é possível mensurar quanto do sentimento antipetista do eleitor paranaense está ligado à Lava Jato e quanto é apenas reflexo do desgaste que o PT e a figura de Lula tiveram com o eleitorado brasileiro, como um todo, nos últimos anos. Segundo o cientista político Nilton Sainz, a narrativa sobre o que seria a "identidade" do eleitor do estado está em disputa. "É difícil a gente conseguir ter essa noção do que é uma identidade paranaense na política ideológica e o que é polarização política no Brasil. [...] Não é que o eleitorado seja esmagadoramente de direita. É que o eleitorado, nesse momento, quando se ativa o nome e a marca do Lula, vai rejeitar", destaca. Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná Divulgação TCE-PR O cenário nacional polarizado também contribui para limitar o crescimento do segundo colocado nas pesquisas. Filho de Roberto Requião, que foi governador por três mandatos, Requião Filho, do PDT, é apoiado por Lula e reuniu em torno de si uma coligação ampla da centro-esquerda, já que, pela primeira vez na história, o PT não lançou uma candidatura própria ao governo do Paraná.  Requião Filho domina as intenções de voto do eleitorado que se identifica como "lulista" ou como "esquerda não-lulista". No entanto, herda parte da rejeição a Lula. ❌Quando perguntados em qual dos candidatos jamais votariam, 44% dos eleitores apontam Requião Filho. Moro é o segundo mais rejeitado, com 33%. O apoio de Lula aumenta as chances de voto para 16% dos eleitores do Paraná e não tem efeito sobre a decisão para 41%. Mas 40% responderam que um candidato apoiado pelo presidente tem menos chances. "É um saldo bastante negativo", ressalta Nilton Sainz. Segundo Felipe Nunes, da Quaest, a aliança ampla não elimina a dificuldade de expansão para fora da esquerda, já que Requião tem apenas 17% entre eleitores que se declaram independentes e 5% na direita. "A coligação fortalece sua possibilidade de chegar ao segundo turno, mas não garante crescimento posterior. Ela organiza um polo competitivo, mas ainda precisa ampliar suas fronteiras eleitorais", aponta. Para Karolina Roeder, as chances de Requião para ampliar essas fronteiras estão justamente em adotar a estratégia oposta à de Sergio Moro, trazendo o debate para as questões específicas do Paraná. "Para ele, fazer palanque para o Lula é um tiro no pé", diz. A cientista política pondera ainda que a nacionalização dos debates na campanha, apesar de agradar à base eleitoral de Moro, também tem limitações. "Porque tem uma boa parcela do eleitorado que não quer nacionalizar, que está mais preocupada com as questões locais e não nacionais", afirma, destacando que há um certo cansaço do eleitor com a polarização da disputa para a presidência. Candidatos mais bem colocados na pesquisa de 24 de agosto - Quaest PR arte/g1 📈Candidatos têm fôlego para mudar o cenário? Felipe Nunes, da Quaest, afirma que, apesar de a pesquisa colocar uma vitória de Moro em primeiro turno no campo das possibilidades, não é possível tratá-la como uma previsão de eleição em votação única. Isso porque 18% dos eleitores se disseram indecisos e, dentre os eleitores que escolheram um candidato, 44% dizem que ainda podem mudar de ideia. "A percepção de que a eleição pode terminar no primeiro turno produz efeitos em direções diferentes. Pode haver um movimento de adesão a Moro por parte de eleitores que enxerguem sua vitória como inevitável. Mas também pode ocorrer voto útil no candidato mais bem posicionado para forçar o segundo turno — hoje, Requião Filho. Sandro tende a ser o mais pressionado por essa dinâmica, porque aparece numericamente em terceiro e precisa demonstrar rapidamente viabilidade", comenta Nunes. Com a campanha iniciada oficialmente em 16 de agosto, os candidatos terão tempo de TV, entrevistas, debates e agendas públicas para tentar convencer a grande massa de paranaenses indecisos. Os especialistas destacam que o caminho até o dia 4 de outubro, quando os eleitores vão às urnas, ainda pode trazer um cenário diferente do retratado na pesquisa. Campanha começou oficialmente em 16 de agosto e , na TV, na sexta-feira (28). Lindomar Cruz/Agência Senado Segundo a última Quaest, as mulheres são a maior parte do eleitorado indeciso no estado, seguidas pelos jovens de 16 a 34 anos. "Nisso, o eleitorado do Moro replica aquilo que acontece com o Flávio Bolsonaro: mais homens do que mulheres, um 'gap' de gênero muito claro, com mais de 10 pontos percentuais de diferença", comenta Karolina Roeder. Neste ano, a única candidatura feminina ao Governo do Paraná é a de Tayná Miessa, do Unidade Popular, que tem apenas 1% das intenções de voto. Entre os três principais nomes, o único candidato que tem mais mulheres do que homens entre seus eleitores é Requião Filho. Roeder destaca ainda um outro eleitorado que está em disputa: "O eleitor que recebe até 2 salários mínimos, tem menor renda, menor escolaridade. Esse eleitorado também é aquele que tem menos informação, muitas vezes trabalha num emprego mais precarizado e não tem tempo para se informar", comenta. Nilton Sainz lembra que, em 2022, quando Ratinho Junior era candidato à reeleição, o período oficial da campanha rendeu um impulso nas intenções de voto. "Ele conseguiu crescer durante esse período da campanha eleitoral, conseguiu mobilizar, talvez até pela força do PSD nos municípios e da própria máquina pública e estrutura partidária no Estado", diz. Sainz aponta ainda que uma repetição desse cenário é a principal esperança da campanha de Sandro Alex. Para Moro, que não tem uma coalizão ampla, o foco deve ser em cristalizar as intenções de voto já detectadas nas pesquisas e evitar desgastes. O candidato já apontou nesta direção ao desistir de participar do primeiro debate eleitoral na TV aberta. Vídeos mais assistidos do g1 PR Veja mais notícias do estado em g1 Paraná.

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