Motorista de aplicativo que matou dois passageiros no PR disse que briga aconteceu fora do carro após ele voltar para entregar bolsa esquecida
Motorista de aplicativo que matou passageiros diz que briga começou por cerveja derramada O motorista de aplicativo que matou dois passageiros na madrugada de ...
Motorista de aplicativo que matou passageiros diz que briga começou por cerveja derramada O motorista de aplicativo que matou dois passageiros na madrugada de domingo (1º), em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, disse em depoimento que a briga aconteceu fora do carro. Ele contou que tudo aconteceu quando ele percebeu que tinham esquecido uma bolsa no carro e voltou para entregar. Em depoimento, o motorista também informou que ele notou que os passageiros derrubaram cerveja no carro. A discussão começou depois que ele reclamou sobre a situação. As informações são do delegado Ricardo Moraes. “Ao retornar para entregar a bolsa e falando que a questão da cerveja teria feito com que ele [motorista] perdesse aquela noite de trabalho, houve um desentendimento entre os dois passageiros e o motorista”, disse o delegado. Em nota, a defesa do motorista disse que ele realizou um "ato de boa-fé" ao voltar para entregar a bolsa (leia abaixo íntegra da nota) ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp As vítimas foram identificadas como Adriano Lima dos Santos, de 20 anos, e o irmão dele, Jeferson Lima dos Santos, de 30. Os dois foram sepultados nesta segunda-feira (2), no cemitério municipal de Francisco Beltrão. Adriano Lima dos Santos (à direita) e o irmão Jeferson Lima dos Santos (à esquerda) foram mortos por um motorista de aplicativo, no Paraná. Reprodução/Redes Sociais/Grupo Inocêncio O motorista de aplicativo foi preso, mas foi liberado após a audiência de custódia. Segundo o delegado, ele alegou ter atirado em legítima defesa por ter sido atacado durante a discussão. O nome do motorista não foi divulgado. “O motorista do aplicativo permaneceu no local, inclusive constata-se que teria sido ele quem teria acionado o Samu para eventual auxílio médico. Era uma pessoa ré primária. Todos esses contextos foram analisados na delegacia, ele foi autuado e detido pelos delitos de homicídio e porte irregular de arma de fogo de uso restrito”, disse o delegado. LEIA TAMBÉM: Motorista de aplicativo que matou dois passageiros no PR é solto após alegar legítima defesa Motorista de aplicativo e passageiro assassinado por ele no PR não tinham porte de arma, diz polícia Como o crime aconteceu Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), o motorista transportava três passageiros – dois irmãos e uma amiga deles – entre os bairros Padre Ulrico e Cantelmo. Depois de chegarem ao destino, os parceiros desembarcaram, mas esqueceram uma bolsa dentro do veículo. Além do objeto esquecido, o motorista também notou que os passageiros derrubaram cerveja dentro do carro ao longo do trajeto. Segundo o relato do motorista à polícia, os passageiros reagiram ao comentário. Um dos irmãos, armado com um revólver, teria tentado sacar a arma durante a discussão. O motorista, que também estava armado, diz que foi neste momento que fez os disparos. O delegado informou que o segundo irmão atacou o motorista com uma faca e também foi baleado. Um dos passageiros morreu no local. O outro chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos. A terceira passageira não se feriu. Motorista de aplicativo mata dois passageiros após corrida em Francisco Beltrão Mauricio Veinhal/ Conexão 24 horas A Polícia Militar foi acionada após denúncias de disparos de arma de fogo. No local, foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros, um revólver calibre .22 e uma faca. O delegado explicou que a arma usada pelo motorista é registrada, mas ele não possui autorização para porte. O passageiro do carro também não tinha autorização para porte e a arma encontrada com ele não era registrada. A terceira passageira que estava no veículo não ficou ferida e também foi levada à delegacia para prestar depoimento. Segundo o delegado, a mulher disse que não participou da briga e estava em casa quando ouviu o barulho do disparo. "Ela disse que não chegou a sair quando eles retornaram. Quando ela ouviu o barulho, ela teria ficado numa parte que é área da residência. Quando ela chegou, verificou que eles [o motorista e os passageiros] já estavam em vias de fato. Ela ouviu os disparos, mas não conseguiu presenciar toda a dinâmica dos fatos", explicou o delegado. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Paraná. Armas, faca e celulares foram apreendidos Polícia Civil do Paraná Leia, abaixo, a nota da defesa do motorista na íntegra: "A defesa técnica do acusado, bem como seu constituinte, lamenta profundamente o trágico desfecho ocorrido na madrugada do último domingo. Uma fatalidade que se iniciou após um ato de boa-fé do acusado, que retornou ao local unicamente para devolver um pertence esquecido pelos passageiros, demonstra como situações imprevisíveis podem escalar de forma drástica e indesejada. É fundamental esclarecer que a reação do acusado foi um ato exclusivo e inevitável de legítima defesa. Diante de uma agressão injusta, violenta e iminente, que colocou sua vida em risco real, o forçando a agir para proteger a própria integridade física. Sua conduta não buscou o confronto, mas sim sua sobrevivência. A correção dessa análise é evidenciada pela própria Justiça. A decisão que restituiu a liberdade do acusado, proferida após uma análise técnica dos fatos, reconheceu a robustez dos indícios de que ele agiu amparado por uma excludente de ilicitude. Reforça essa convicção a conduta do próprio acusado que, cessada a agressão, foi o responsável por acionar imediatamente o socorro médico e as autoridades, colaborando desde o primeiro momento para a completa elucidação do ocorrido. O acusado seguirá à disposição da Justiça, com a serenidade de quem confia na apuração isenta dos fatos. A defesa reitera sua total confiança no Poder Judiciário e tem a convicção de que, ao final da instrução processual, a legítima defesa será plenamente reconhecida, com a sua consequente e justa absolvição", disse o advogado Gabriel Matheus Pavan Quaglioto. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.